Circo da Vida


Saiu de casa angustiada. Havia discutido com os pais sem nenhum motivo aparente. Pegou o primeiro ônibus que passou e seguiu sem rumo na esperança de resolver-se afetivamente. Em meio a indagações e pensamentos a garota se vê atenta às palavras de um desempregado. Desempregado vestido de palhaço vendendo adesivos para sobreviver em um picadeiro chamado mundo. Ela resolve ajudar. E a ajuda, um tanto tímida, torna-se grandiosa ao juntar-se às demais moedas de R$ 0,50 acumuladas no ônibus. A garota ri ao perceber a mediocridade de seu então “problema”, mas logo se dá conta de que a situação ali não é tão cômica assim.
No fundo a situação possuía um tom de criticidade e ironia. Percebeu e analisou o momento com mais calma. Pensou consigo mesma. “Todos nós somos palhaços... Apenas não assumimos nossa postura nem pintamos nossos rostos temendo o ridículo”. A sociedade nos faz palhaços. Inegável condição. “Entretemos nossos políticos com gestos um tanto engraçados como nosso ‘direito’ ao voto”. Seria cômico se não fosse trágico. Não resolveu seu problema, mas voltou para casa aparentemente aliviada. Adotou um nariz de palhaço e... Agora só anda de ônibus. Bem mais produtivo.

O sorriso de Deus

Autor: Anônimo

Havia um pequeno menino que queria se encontrar com Deus. Ele sabia que tinha um longo caminho pela frente. Um dia encheu sua mochila com pastéis e refrigerante e saiu para brincar no parque. Quando ele andou umas três quadras, encontrou um velhinho sentado em um banco da praça olhando os pássaros.

O menino sentou-se junto a ele, abriu sua mochila e ia tomar um gole de refrigerante, quando olhou o velhinho e viu que ele estava com fome, então ofereceu-lhe um pastel. O velhinho muito agradecido aceitou e sorriu ao menino. Seu sorriso era tão incrível que o menino quis ver de novo; Então ele ofereceu-lhe seu refrigerante. Mais uma vez o velhinho sorriu ao menino. O menino estava tão feliz!

Ficaram sentados ali sorrindo, comendo pastéis e bebendo sumo pelo resto da tarde sem falarem um ao outro. Quando começou a escurecer o menino estava cansado e resolveu voltar para casa mas, antes de sair ele se voltou e deu um grande abraço no velhinho. Aí, o velhinho deu-lhe o maior sorriso que o menino já havia recebido.

Quando o menino entrou em casa, sua mãe surpresa perguntou ao ver a felicidade estampada em sua face: - O que você fez hoje que te deixou tão feliz assim?
Ele respondeu: - Passei a tarde com Deus. Você sabe, Ele tem o mais lindo sorriso que eu jamais vi?
Enquanto isso, o velhinho chegou em casa com o mais radiante sorriso na face e seu filho perguntou: - Por onde você esteve que está tão feliz?
E o velhinho respondeu: - Comi pastéis e bebi sumos no parque, com Deus. Você sabe que Ele é bem mais jovem do que eu pensava?
A face de Deus está em todas as pessoas e coisas que são vistas com os olhos do amor e do coração!
Em um momento meu com Deus cheguei à conclusão que Sua real presença reside nas coisas mais simples da vida. Nada de exageros. Deus se manifesta em ações comuns como um sorriso. No momento certo escutei a estória acima. Muitas vezes no escuro do meu quarto percebo q sou uma criança que precisa constantemente de algo. Não sei bem o que. Uma menina que contempla o passado e que muitas vezes deseja apenas que o tempo pare. Hoje acordei nostálgica.

O Vazio


O vazio é ausência do tudo. Quem sabe. Mesmo com o tudo ao meu redor – pessoas, bancos, ônibus – sinto um vazio. Talvez por estar só em um terminal de ônibus esperando ansiosamente por uma amiga que seja capaz de preencher aquilo que defino como vazio. Todos se olham, mas ninguém se vê. O outro é apenas mais um. É engraçado como esse sentimento de vazio some com apenas uma dose de álcool no organismo ou uma tragada de cigarro. Para muitos esta é a solução. Isso. Apenas uma dose e um trago. Porque não preencher vazios com sorrisos, abraços, beijos, gestos de carinho? Pense ao menos no lado financeiro: sai bem mais barato. Melhor. Não custa nada. Pra você talvez até custe. Uma piadinha sem graça soltada por alguém ou seu próprio censo alertando-lhe estado de vergonha pública. Não entendo como gestos simples como um abraço podem ser vistos como vergonha pública. Na verdade, nessa vida não consigo entender muita coisa. Até me esforço, mas em vão. Eu mesma, muitas vezes, tenho atitudes incoerentes – não irei mencionar aqui por motivos óbvios.
Enfim, voltando ao vazio me deparo com o nada. Nada que para alguns vira tudo ao alimentar-se de dinheiro, bens materiais, promoção no emprego. O tudo como preenchimento do nada se torna vazio, já que nada satisfaz o ser humano, até mesmo o tudo. Não entendeu? Nem eu. Nessa vida não consigo entender muita coisa. O nada é “inintendível”. Diariamente os seres humanos buscam preencher seus nadas, seus vazios. Conseqüência disso? Bares cheios, shoppings lotados e dezenas de computadores conectados à internet. Essa busca em preencher o danado do vazio talvez explique a grande quantidade de universitários que, como eu, comparecem todas as sextas-feiras ao nosso tão estimado ponto de encontro: o Bambu Bar. É. De fato, o vazio preenche a vida de muita gente.
Mais um ônibus pára em minha frente e do outro lado da janela posso ver uma criança de aparentemente dois anos sorrindo para mim. A capacidade que ela tem em transmitir alegria é tamanha a ponto de me fazer parecer uma boba na fracassada tentativa de retribuir o gesto. O ônibus se vai e a criança também. Mas antes de partir ela deixa meu vazio preenchido. Agora sim posso ir para casa. Cheia... de textos, cadernos, pastas e canetas. Mas feliz.

Gentileza e Simplicidade


Por: Zeca Baleiro
Texto extraído da revista semanal IstoÉ
Edição 2018 (09/07/08)


Há alguns meses, estava eu numa lanchonete quando vi, do outro lado de uma pesada porta de vidro, um casal se aproximando com bandejas nas mãos. Vendo a sua dificuldade em abrir a porta com as mãos ocupadas, e vendo que ninguém ali no recinto esboçara qualquer atitude, saí da mesa em que estava sentado confortavelmente e puxei a porta para que os dois passassem. Passaram. E eu fiquei esperando um agradecimento qualquer, por tímido que fosse. Mas que nada!... Tempos depois, na recepção de um hotel, abri a porta para uma senhora que carregava sua mala com certo sacrifício e, de novo, nem um mísero "obrigado" ouvi.
Não que eu tenha feito tais favores com a intenção de ser laureado, com condecoração em praça pública, chave da cidade, comenda, quermesse e festa no sambódromo, mas penso que é muito alentador ouvir agradecimentos quando se presta um favor a alguém. Instaura-se uma tal atmosfera de "amistosidade" que, ainda que por um momento, nos dá a esperança de viver num mundo mais gentil, menos bárbaro.
Dar a vez no trânsito é um gesto com mais poder transformador que qualquer manifestação na porta do Congresso
Conto essas histórias para ilustrar a minha percepção de que hoje as pessoas raramente agradecem, talvez porque entendam a gentileza apenas no contexto dos serviços. O porteiro que carrega a mala, a recepcionista que dá a informação, o taxista que abre a porta, a aeromoça que retira a mala do bagageiro... A gentileza é um serviço, não um gesto espontâneo e desinteressado, logo agradecer seria um detalhe, não uma obrigação.
Gosto de fazer favores, como gosto de agradecer. Dar a vez no trânsito hoje em dia é um gesto com mais poder transformador que qualquer manifestação na porta do Congresso ou passeata na Paulista. "Gentileza gera gentileza", disse o folclórico profeta contemporâneo. E gratidão é nobreza, costuma dizer um amigo, filósofo de padaria.

Dias de (IN)Segurança Pública

Um fato curioso me ocorreu na última quinta-feira (19/06). Estava eu em mais um dia como júri popular do 31º Festival Guarnicê de Cinema (evento, diga-se de passagem, muito bem idealizado), quando um amigo que está sentado ao meu lado recebe uma ligação. Era sua mãe desesperada avisando-lhe que naquele momento acontecia uma série de arrastões simultâneos em vários bairros da capital. Óbvio, ficamos todos aflitos e preocupados com a nossa volta para casa. Os curtas, vale lembrar muito interessantes, serviram apenas como pano de fundo de mais uma situação de insegurança que vivemos por conta da greve da Polícia Civil que já chega ao seu 27º dia. O curioso nessa história toda foi perceber a capacidade que a informação tem em se expandir em tão pouco tempo. O medo conseguiu se espalhar tão rápido de modo que até nós, universitários cinéfilos (ou não), nos sentimos ameaçados e incapazes de desfrutar de um bom e velho filme gratuito. Tá. O cômico aqui foi descobrir na manhã do dia seguinte que tudo não passara de boatos maldosos originados de uma parcela da população que sabe tirar proveito de uma situação caótica e consegue se divertir com a insegurança das pessoas.
Não achando pouco me deparo com outro caso decorrente de nossa (in)segurança pública. Nada cômico. Apenas trágico. Na manhã da última sexta-feira (20/06), um latrocínio foi registrado no até então considerado tranqüilo bairro do Bequimão. A vítima?Airton Lima, de apenas 40 anos de idade, fotógrafo da produtora Focus (localizada no próprio bairro). Os criminosos? Um sujeito identificado (por ele mesmo) como Davi Gomes e o agora foragido José Leandro Sousa Barbosa, conhecido como “Léo”. A polícia? Os moradores que acompanharam o incidente. Ao entrar no estabelecimento, os assaltantes renderam Airton, seu tio (proprietário do local) e uma cliente.
Após conseguir o dinheiro, “Léo” e “Davi” (daria um bom nome de dupla sertaneja) tentaram fugir, mas foram surpreendidos por Airton, que reagiu e acabou sendo baleado à vista de todos que passavam pelo lugar e em meio aos moradores do conjunto. A morte foi inevitável. A polícia militar foi acionada mas chegou cerca de uma hora depois do ocorrido. Resultado: “mãos à obra”. Tentativa de linchamento do criminoso. “Davi Melo”, autor do disparo, não conseguiu fugir e sofreu as conseqüências, ao contrário de seu parceiro, que fugiu em um automóvel que encontrava-se ali perto.
Pais de família assumiram o papel de defensores da justiça e frente à suas crias ensinaram que violência se justifica com mais violência. Atitude moralista?Creio que não. Acompanhei tudo de perto, exceto o momento do assassinato. Minutos antes havia passado no local e conversado com o próprio Airton sobre o aluguel de uma kitinete no prédio em que se encontra o estúdio ao qual ele trabalhava. Muito simpático, me passou todas as informações necessárias e indicou possíveis lugares em que o preço estaria mais baixo. Ainda lembro de suas palavras: “Olha, aqui estão alugando por R$ 460,00, mas é um ‘senhor apartamento’ (...) inclusive está desocupando um agora...”. Saí contente mesmo não conseguindo resolver meu problema. Contente até o momento em que recebo a ligação de uma amiga que me acompanhava na busca incessante por um quarto/sala disponível para aluguel.
Assim que soube corri para o local. Não acreditei no que vi. Até quando pessoas inocentes morrerão vítimas da violência provocadas pela nossa excelentíssima segurança pública? Em momentos como esse chegamos a pensar absurdos. “Será se todas as pessoas que eu pedir informação serão assassinadas?”. Nossa. Absurdo pensar isso. Cheguei a uma conclusão: “Não peço mais informação.Não enquanto a Polícia Civil estiver em greve". Bobagem? Talvez. É. Paranóia minha.


Conto de Fadas Feminista


Era uma vez um casal que fazia bodas de prata e estava também celebrando seus 60 anos de idade.

Durante a celebração, apareceu uma fada e lhes disse:

- Como prêmio por terem sido um casal exemplar durante 25 anos, concederei um desejo a cada um de vocês!

- Quero fazer uma viagem ao redor do mundo com o meu querido marido! - pediu a mulher. A fada moveu a varinha e... zas! As passagens apareceram nas mãos da senhora. Em seguida foi a vez do marido. Ele pensou um momento e disse:

- Bem, esse clima está muito romântico, mas uma chance dessas só se tem uma vez na vida. Então... Bom, desculpe, benzinho - disse, olhando para a esposa - mas meu desejo é ter uma mulher trinta anos mais jovem do que eu!

A mulher fica chocada, mas pedido é pedido: a fada faz um circulo com a varinha e... zas!

O homem ficou com 90 anos!

Moral da história:

Todos os homens são sacanas, mas as fadas madrinhas são mulheres!

Noite Junina


Domingo, 20:25 hrs, 15 de junho de 2008

Acidente no bairro do Cohafuma. Duas ambulâncias. Uma moto caída no chão. Tudo indica que uma pessoa está morta. Curiosos se aglomeram para se compadecer com o sofrimento da vítima que sangra incontrolavelmente em uma avenida congestionada de carros que buscam diversão em mais uma noite de Arraial em São Luís. Domingo. Em noite festiva em que matracas e pandeirões anunciam bumba-meu-boi nos diversos terreiros espalhados pela capital, a atração aqui é outra: o estado agonizante em que o indíviduo acidentado se encontra. Toadas são sirenes de ambulâncias. Brincantes não usam chapéus de fita ou roupas de penas, mas jalecos e sapatos brancos. O palco tem um nome: Avenida Jerônimo de Albuquerque (próximo ao Condomínio do Novo Tempo, após o Multicenter Sebrae). Os espectadores do acidente que agora tornou-se espetáculo são singelos moradores da redondeza que optaram por assistir a agonia humana em vez de lambuzar-se frente à TV e às suas apelações dos dias de domingo. De fato. Desligue a TV aos domingos. Há coisa muito mais interessante acontecendo do outro lado da janela de sua casa.

Sabe o que me chama a atenção?A capacidade que o ser humano tem em se importar com o outro. Seria inútil calcular a quantidade de pessoas que passaram pelo local do ocorrido e que mesmo assim seguiram seu caminho deixando apenas um comentário: "Nossa!Que trânsito infernal!Tudo isso por causa de um mísero acidente!". Perderia meu tempo com algo incalculável. O engarrafamento aumenta a cada segundo. Você deve estar se perguntando: "E você moça?Aonde enquadra-se nessa história toda?". Eu? Sou apenas mais uma que passou pelo local. Observou a cena toda. E em meio a tambores e forró pé-de-serra se distrai em mais um arraial montado no São Luís Shopping. Optei pelo espetáculo junino convencional.